LINGUAGEM LITERÁRIA E EDUCAÇÃO DECOLONIAL
VOZES, SABERES E (RE)EXISTÊNCIAS NO CURRÍCULO ESCOLAR
Resumo
A presente pesquisa propõe uma discussão sobre a estrutura curricular da educação escolar brasileira a partir de uma perspectiva decolonial, compreendendo a escola como espaço de compartilhamento de saberes diversos. O texto reflete acerca da permanência de epistemologias eurocentradas, hegemônicas e coloniais no currículo, que desvalorizam conhecimentos de origem africana, indígena e popular, relegando-os ao campo da invisibilidade. Fundamentando-se em autores como Walter Mignolo (2008), Boaventura de Sousa Santos (2007), Djamila Ribeiro (2019) e Silvio Almeida (2019), o estudo analisa como a colonialidade do saber, do ser e do poder atua na manutenção das desigualdades e silenciamentos históricos. A metodologia baseia-se em uma abordagem qualitativa, ancorada na apresentação da experiência prática de um projeto interdisciplinar realizado entre os anos de 2022 e 2024 em escolas públicas de São Luís de Montes Belos (GO). Tal projeto propôs a inserção de obras literárias de autores indígenas e afro-brasileiros nos componentes curriculares de Língua Portuguesa e Literatura, desde o 6º ano do ensino fundamental até a 3ª série do ensino médio. Tal inserção promoveu a ressignificação da linguagem literária como instrumento de resistência, reconhecimento identitário e formação crítica dos estudantes.






