A FANTASIA COMO FERRAMENTA CRÍTICA
SUBVERSÃO E SENTIDO NA LITERATURA FANTÁSTICA CONTEMPORÂNEA
Resumo
A presente investigação propõe uma análise crítica da literatura fantástica contemporânea como espaço discursivo de subversão simbólica, articulação de sentidos e reconfiguração da realidade. Em oposição à concepção tradicional que reduz o fantástico ao mero escapismo, argumenta-se que o gênero opera como instância epistemológica e ontológica, reposicionando o imaginário como ferramenta hermenêutica. Por meio da articulação teórica entre autores como Tzvetan Todorov, Farah Mendlesohn, Umberto Eco, J.R.R. Tolkien, Carl Jung, Mircea Eliade, Paul Ricoeur e Mikhail Bakhtin, além da análise da obra de ficcionistas como Leonel Caldela e André Vianco, delineia-se um panorama no qual a fantasia atua como tecnologia narrativa de insurgência crítica, problematizando categorias como identidade, tempo, espaço e verdade. A metodologia adotada é bibliográfica e teórico-interpretativa, priorizando uma abordagem transdisciplinar que integra literatura comparada, filosofia da linguagem e teoria do imaginário. Conclui-se que a fantasia, ao transgredir as convenções miméticas e instaurar universos simbólicos próprios, não apenas tensiona os fundamentos do real, mas convoca o leitor a uma experiência liminar de estranhamento, consciência e desnaturalização.






