O POEMA COMO UM QUADRO CELESTE
ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE "ADORMECIDA”, DE CASTRO ALVES, ATRAVÉS DA MONTAGEM CINEMATOGRÁFICA
Resumo
Este artigo propõe uma leitura do poema lírico “Adormecida”, de Castro Alves, a partir dos conceitos de montagem e representação desenvolvidos por Sergei Eisenstein em O sentido do filme (2002). Ao longo de seis estrofes, o eu lírico constrói uma cena imagética e sensorial que combina paisagens, metáforas e descrições minuciosas — como em “via-se a noite plácida e divina” e “uma chuva de pétalas no seio...” — para compor uma espécie de quadro celeste. A análise evidencia como a justaposição de imagens no poema se aproxima da linguagem cinematográfica, especialmente no que diz respeito à organização dos planos e à evocação de sensações por meio da descrição. Entre os temas centrais destacados, está a tensão entre sedução e pureza, que permeia a contemplação da figura feminina adormecida e contribui para uma atmosfera de erotismo sutil e idealização romântica. Utilizando conceitos cinematográficos como plano geral, plano médio e plano fechado, a leitura propõe que o poema se estrutura visualmente de modo semelhante à lógica da montagem fílmica, revelando um alto grau de planejamento estético. Além de Eisenstein, o referencial teórico inclui autores como Marcel Martin, David Howard, Edward Mabley e Andrei Tarkovski, cujas contribuições auxiliam na compreensão da construção narrativa e emocional do texto poético. Com isso, o estudo busca demonstrar como a literatura romântica pode ser analisada sob uma ótica interartes, revelando aproximações formais entre o cinema e a poesia.






